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Lançamento do terceiro número da publicação scopio Magazine

A scopio Magazine e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) têm o prazer de o/a convidar para uma sessão especial de lançamento do terceiro número desta publicação: scopio aboveground territory com edição especial addendum photobook – madeira.

Após a abertura a cargo do prof. Carlos Guimarães (Arquitecto, FAUP), director da FAUP, a sessão será presidida por Pedro Leão Neto (Arquitecto, FAUP), director da scopio Magazine, e contará com a presença de dois autores convidados: Vitor Silva (Pintor, FAUP) e Álvaro Domingues (Geógrafo, FAUP).

Num primeiro momento, Pedro Leão Neto explicará o tema geral do próximo ciclo da scopio Magazine – Crossing Borders and Shifting Boundaries – e anunciará o vencedor e menções honrosas do concurso internacional de fotografia aboveground territory, bem como os próximos concursos: “scopio international Photography Contest” e “cityscopio international Photobook Contest”.

Num segundo momento, Vitor Silva, responsável pela unidade curricular de Desenho 2 na FAUP e um dos editores da revista sobre desenho e imagem PSIAX fará uma apresentação geral da scopio Magazine que neste 3º número completa o seu primeiro ciclo dedicado ao tema geral Aboveground desenvolvido para as três classes Architecture, City e Territory.

Num terceiro momento, Álvaro Domingues, responsável pela unidade curricular de Geografia na FAUP e autor do artigo Territory na secção Review da scopio aboveground territory falará sobre a o território e a sua relação com a imagem, tendo como referência os seus diversos trabalhos e publicações sobre a transformação da paisagem portuguesa como é exemplo a sua recente obra Vida no Campo, publicada pela Dafne Editora.

O terceiro momento será o debate aberto ao público e a sessão terminará com um Porto de Honra – Niepoort.

SCOPIO é uma linha editorial ligada à Fotografia e Imagem de Arquitectura, Cidade e Território, que teve como fonte de inspiração as publicações alternativas bookzines e zines, e onde a imagem de fotografia é utilizada como um instrumento de investigação com o intuito de comunicar novas perspectivas sobre o espaço de cidade (http://www.scopiomagazine.com).

Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
Via Panorâmica S/N. 4150-755 Porto. http://www.arq.up.pt  | +351 22 605 71 00

Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo (http://www.ceau.arq.up.pt)

Centro de Comunicação e Representação Espacial (http://www.ceau.arq.up.pt/grupo.asp?id=2)

Scopio Network: Plataforma independente interligando o grupo de investigação CCRE-FAUP, scopio Magazine e Cityscopio Associação Cultural (http://www.scopiomagazine.com)

5ª Sessão C.F.M. – D.T.W. : Cláudio Reis e Carlos Lobo

Decorreu no auditório da biblioteca da FAUP, nesta última quinta-feira 18 de Abril, mais uma sessão do nosso ciclo de conferencias D.T.W. (1) integrado na unidade curricular de Comunicação Fotografia e Multimédia (C.F.M.) do 4º e 5º Ano na FAUP.

Nesta 5ª sessão tivemos como autores convidados Cláudio Reis (2) e Carlos Lobo (3) que colaborou na moderação da mesa através de um diálogo exploratório e crítico tendo como base o trabalho apresentado.

A intervenção de Cláudio teve como mote “Fotografia como segundo olhar, do indicio ao conceito”, através do qual apresentou o seu projecto fotográfico em desenvolvimento “Côa” e foi a partir dele que se iniciou posteriormente a interessante discussão sobre a possibilidade de utilizar a fotografia como um meio para descodificar o processo criativo em arquitectura.

A série fotográfica constitui um projecto documental e artístico que procura comunicar, por um lado, a experiência única daquele lugar situado no território de Foz Côa, seleccionando na sua paisagem os indícios – artefactos e elementos naturais – responsáveis por desencadear as ideias e impressões mais significativas dessa experiência. Por outro lado, apesar de ser um projecto fotográfico com autonomia própria, ele está fortemente relacionado com o pensar da disciplina e prática de arquitectura: com o processo de concepção e construção do projecto do Museu do Côa de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel e, também, com o interesse de Cláudio sobre as questões conceptuais ligadas ao processo de materialização de uma ideia arquitectónica e da sua comunicação através da imagem.

O trabalho de Cláudio permitiu, assim, levantar questões significativas ligadas ao processo de construção de um projecto fotográfico, e da sua relação com o lugar e com o próprio processo de concepção em arquitectura.

Cláudio Reis: 20 Untitled photographs from series “Côa”, 2013.

Cláudio Reis: 20 Untitled photographs from series “Côa”, 2013.

Como ele próprio diz na sinopse “ Entre ficção e documento, tudo começa na experiência única de estar no lugar, auscultando o território. Cada movimento procura na paisagem artefactos e evidências, indícios susceptíveis de lançar conceitos, as coisas que dão substância a esquissos e maquetas.” Começamos assim por falar na experiência do lugar e de como isso é comunicado nesta série fotográfica e da sua importância na arquitectura.

Interessa referir que esta particularidade no trabalho de Cláudio – integrar na poética e lógica conceptual do seu projecto fotográfico questões importantes da sua relação com o lugar (como arquitecto e como fotografo) e ao fazê-lo, estar simultaneamente a reflectir sobre o próprio processo de concepção da sua série e do Museu do Côa constitui um grande desafio e dá à sua série um nível de riqueza e complexidade fascinantes.

Ancorada numa forte matriz conceptual (método) e portadora de uma poética bastante singular, esta série permite (re)pensar o potencial da fotografia a dois níveis.

Por um lado, como um instrumento de desígnio para o universo da arquitectura, no sentido em que (re)interpreta aquela paisagem tocando em questões importantes que informaram a postura da arquitectura do Museu do Côa. É disso exemplo, entre outros que poderiam ser apontados, a importância da ruína como uma referencia da paisagem, a imagem do território como um legado e um espaço de contemplação, a barragem como cicatriz na paisagem, mas também como ideia de instalação, próxima da land art, uma ideia que surge também com a imagem da parede de betão que segura o xisto. Como nos disse Cláudio, a fotografia não só é um segundo olhar, uma mediação, como também uma “vontade” de projecto (este segundo olhar), um processo criativo de chegar a um conceito.

Por outro lado, como disciplina e meio, com autonomia própria, capaz de questionar, redescobrir e recriar o território de acordo com uma lógica conceptual que é a do autor e seu projecto fotográfico e não a do projecto de arquitectura. Neste sentido, podemos ver no trabalho de Cláudio um projecto artístico que “desplatoniza”, como diria Sontag (1996) (4), a nossa compreensão do lugar daquele território porque o transforma em imagem e processo, oferecendo dessa forma uma nova leitura e percepção acerca do mesmo.

Repare-se que esta série, que é apenas uma fase do projecto fotográfico “Côa”, possui já uma componente conceptual muito forte e uma lógica interna própria que, por diversas vezes, vai para alem das preocupações arquitectónicas ou do olhar de arquitecto. Na verdade, nesta série o Museu do Côa assoma de forma subtil, porque de outra forma seria demasiado contundente no projecto de fotografia (imagem) e a paisagem surge de forma não tradicional – o olhar de Cláudio é conceptual e procura pistas, indícios e não a paisagem “tipo postal”. A vontade de reflectir simultaneamente sobre a experiência do lugar e o próprio processo arquitectónico do Museu do Côa explica a não linearidade temporal da série com imagens de arquivo (imagem) anteriores e outras posteriores ao projecto de arquitectura. Outras estratégias artísticas interessantes são a ideia de colecção vinda de Walter Benjamin (1969) (5) que Cláudio explora para o projecto fotográfico do Côa como se estivesse a construir uma enciclopédia mágica de indícios e artefactos daquele território, bem como a hipótese que coloca de utilizar, como suporte final do projecto em livro, uma caixa com o conjunto de imagens segundo a ordem do autor, mas que depois permitiria ao público criar novas ordens. Esta última ideia que muito ligada ao conceito de obra aberta de Umberto Eco (2005) (6).

Cláudio está consciente de que o olhar do fotografo pode ser uma mais valia para o arquitecto na medida em que lhe permite questionar e compreender a realidade do território de uma forma poderosa e singular. No entanto, também nos avisa que o olhar do fotografo é um olhar distinto do arquitecto porque tem um processo e mecânica próprio que escapa ao da arquitectura. É assim significativo notar como as imagens fotográficas de Cláudio têm o poder de nos revelar não só a lógica espacial e a beleza exterior daquele lugar, como também a qualidade poética de Foz Côa, o seu geniu loci. Por outro lado, é a arquitectura que tem o potencial para traduzir em espaço e forma essas qualidades e , neste caso do Museu do Côa, ele é uma expressão poderosa daquele lugar território, quase que como a ele estivesse ligado de forma animal e intemporal.

Somo assim confrontados com um projecto fotográfico complexo que tem como estratégia trazer alguma luz sobre o próprio processo de concepção de arquitectura e que, sendo autónomo, também combina em si momentos do processo de concepção do projecto fotográfico com o de arquitectura. Cláudio oferece-nos algumas pistas para percebermos o processo criativo dos arquitectos e fala, primeiro, de como o processo criativo de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel é uma aventura intelectual muito rica e heterogénea na medida em que corresponde a uma síntese formal que tem como base uma diversidade de referências: a experiência do lugar, memórias pessoais, imagens de fotografia, livros, poemas, textos de autores diversos, arquitecturas, eventos culturais, obras de arte e muitas outras mais. Explica, em seguida, que também o seu projecto “Côa” combina imagens de diversos artefactos relacionados com aquele território e o processo de concepção do Museu e, na série que apresentou, integra uma imagem fotográfica de arquivo de Camilo Rebelo que, na sua óptica, sintetiza de forma brilhante a forma como estes arquitectos entenderam e trabalharam a paisagem: como um erosão de terra natural, onde o natural e o artificial se entrelaçam e uma forma simples, como a do Museu, assume uma grande complexidade.

Muitos mais conceitos e outras questões relacionadas com a temática da conferência poderiam ser aqui abordadas, e a intervenção posterior de Carlos Lobo e o debate final foi um espaço de intercambio de ideias muito rico de que aqui apenas faço uma rápida exposição.

Ainda sobre a série apresentada, é interessante referir como Cláudio explica que são as próprias características plásticas e de escala das imagens que criam diferentes hierarquias e ritmos na narrativa, explicando assim como o tamanho mais reduzido de certas imagens na série criam pausas subtis que funcionam como sub-capítulos visuais. Depois, percebemos que é o “modelo mental” do autor, como diria Stephen Shore (7), que o faz tomar decisões ao nível da representação (tomada de vista, luz, foco, etc.) que vão caracterizar formalmente o resultado final da imagem fotográfica, sendo esta interacção criativa entre mente, realidade e as decisões operativas que fazem da fotografia um  meio e processo artístico surpreendente capaz de (re)cortar e captar o tempo e a luz dos espaços, reinventando-os numa superfície que, como diria Susan Sontag (8), é ela própria uma fonte de conhecimento que nos ajuda a (re)definir a realidade, a recriar o lugar daquele território. Podemos detectar este processo criativo em Cláudio quando, por exemplo, ele explica que e sua escolha de tomada de vista (9) permitiu-lhe, de um mesmo local, decidir por dois enquadramentos distintos – duas imagens que recortam a paisagem para obter significados e características formais diferentes: por um lado, a fotografia que enquadra e centra a amendoeira em flor, realçando dessa forma as suas características formais e que nos surge como se o autor estivesse a construir uma série, ou a fazer um estudo tipológico sobre estes elementos naturais como os Becher realizaram sobre o vernáculo industrial Alemão ou Sander sobre o povo Alemão; por outro lado, do mesmo local, Cláudio com uma pequena mudança de tomada de vista cria um novo enquadramento da paisagem que, na sua procura de indícios significativos do lugar, nos mostra parte de uma caleira da estrada que rasga o território naquele sítio.

Por fim, falando um pouco da intervenção de Carlos Lobo, foi significativa a questão que, em determinada altura, foi colocada acerca da facilidade que hoje em dia existe em fazer fotografia e também da necessidade de existirem alguns critérios que nos orientem sobre a qualidade das mesmas (10). Foi referido como importante que o autor fosse capaz de comunicar visualmente e de forma consistente, através do seu projecto fotográfico, uma ideia, posição crítica ou sentimento, constituindo isso um dos possíveis factores de qualidade do trabalho.  Em determinada altura do debate, Carlos cita de cor um pensamento importante de Gary Winogrand “Photography is not about the thing photographed. It is about how that thing looks photographed.” e que chama a atenção para o facto de que o mais importante não é o objecto fotografado, mas sim como ele nos surge na fotografia. Esta última questão reporta-nos novamente para o processo de concepção fotográfico e os três níveis de fotografia referidos por Stephen Shore (11) - nível físico, nível da representação e nível mental – porque estes são capazes de desconstruir esse processo e ajudam a perceber a qualidade ou a falta de qualidade de certos projectos fotográficos.

Pedro Leão Neto.

1 http://www.effaup.cityscopio.com

2 Cláudio Reis (Vila do Conde, 1980) http://www.umclaudio.com

3 Carlos Lobo (Guimarães, 1974) http://www.carloslobo.net

4 “The powers of photography have in effect deplatonized our understanding oe reality, making it less and less plausible to reflect upon our experience according to the distinction between images and things, between copies and originals” in Sontag, S. (1997) On Photography. London, Penguin Books

5 Benjamin, Walter. “Unpacking my Library: A Talk about Book Collecting,” in Illuminations, translated by Harry Zohn, edited and with an introduction by Hannah Arendt (New York: Schocken Books, 1969), pp. 59-67.

6 Umberto Eco, Obra Aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo, 2005

7 Shore, S 2007, The Nature of Photographs, Phaidon Press, New York.; Shore writes about perception using three levels: The Physical level, The Depictive Level and The Mental Level “You see a mental image – a mental construction – when you read this page, or look at a photograph, or see anything else in the world. Your focus even shifts when reading this picture by Paul Caponigro. But your eyes don’t actually refocus (since you are only looking at a flat page). It is your mind that changes focus within your mental image of the picture, with all the attendant sensations of refocusing your eyes. It is your mental focus that is shifting.

…Pictures exist on a mental level that may be coincident with the depictive level – what the picture is showing – but not mirror it. The mental level elaborates, refines, and embellishes our perceptions of the depictive level. The mental level of a photograph provides a framework for the mental image we construct of (and for) the picture.” (page 97)

8 Sontag, Susan, 1977, ON PHOTOGRAPHY, Penguin Books, London; Susan Sontag explains in The Image-World (pag 153 – 180) that photography is more about the acquisition of knowledge than the actual experience it portrays.

9 DUBOIS, Philippe (1986): El acto fotográfico. De la representación a la recepción. Barcelona: Paidós (1ª Edición: 1983);.o acto fotográfico implica “uma tomada de vista ou olhar na imagem”, um recorte da realidade: “… a imagem-acto fotográfico interrompe, detém, fixa, imobiliza, separa, despega a duração captando apenas um instante. Espacialmente, do mesmo modo, fracciona, elege, extrai, isola, capta, corta uma porção de extensão. A foto aparece assim, no sentido forte, como uma fatia única e singular de espaço-tempo, literalmente cortada em vivo” (p. 141).

10 Relativamente a esta questão ler a excelente entrevista / conversa “An Extended conversation with Francis Hodgson” em http://jmcolberg.com/weblog/2013/02/an_extended_conversation_with_francis_hodgson

11 Shore, S 2007, The Nature of Photographs, Phaidon Press, New York

3ª Conferência do 3º Ciclo D.T.W.

Decorreu a 3ª sessão do 3º Ciclo D.T.W. integrado na unidade curricular de Comunicação, Fotografia e Multimédia da FAUP, organizado pelo CCRE – Centro de Comunicação e Representação Espacial, unidade de I&D do CEAU da FAUP.

Agradecemos a todos os presentes, em particular a Eduardo Brito e Carlos Lobo, pelas interessantes comunicações que nos apresentaram.

Eduardo Brito apresentou uma comunicação onde abordou o tema da refotografia enquanto desejo de regresso e de re-leitura do tempo, onde a imagem “re-fotografada” dota a original de um novo sentido, permitindo “um reposicionamento do espaço de tempo entre ambas” (E. Brito). Na apresentação Eduardo Brito expôs o processo de concepção e curadoria da exposição “Rever a Cidade – Refotografias de Inês d’Orey e Carlos Lobo de imagens da Colecção de Fotografia da Muralha” que decorreu no CAAA.

Carlos Lobo apresentou o seu trabalho relativo à exposição e trabalho específico mencionado bem como outros trabalhos, decorridos e a decorrer, da sua autoria pessoal, abordando questões como a interpretação visual da aparente organização / desorganização da paisagem do Vale do Ave, posição que, enquanto habitante local, fez Carlos Lobo sentir-se como “um estranho dentro da (…) própria cidade” (C. Lobo).

O debate foi uma oportunidade única para adquirir uma maior consciência sobre o universo dos trabalhos artístico e documentais na área da refotografia. Foram revisitados diversos projectos e autores neste campo, e chamando a atenção para a importância desta estratégia documental artística como forma de dinamizar arquivos de imagem da cidade e actualizar essas imagens. Os trabalho de refotografia vão assim permitir, não só acrescentar mais conhecimento e memoria e integrá-los nas imagens de arquivo já existente, como estas vão servir também de base para gerar novas imagens de cidade, com base em novas reinterpretações e um novo olhar  sobre esses espaços de cidade. Na verdade, estes trabalhos de refotografia permitem redescobrir o potencial de reinvenção e critica que os arquivos de imagem possuem relativamente à cidade contemporânea e suas memorias.

Por fim, foi possível tomar consciência do potencial da fotografia documental e artística para desenvolver uma reflexão muito significativa sobre a memoria que as imagens transportam sobre os espaços de cidade e a erosão ou permanência desses artefactos espaciais frente à passagem do tempo. De acordo com a especificidade das linguagens plásticas de Inês d’Orey e Carlos Lobo foi possível perceber diferentes sensibilidades na reinterpretação das fotografias de memoria que lhes serviram de ponto de partida para os seus projectos refotográficos de rever a cidade de Guimarães. Assm, as histórias e as imagens do arquivo da Colecção de Fotografia da Muralha não se repetem, e os autores criam os seus próprios espaços e interpretações de forma autónoma, a memoria da cidade contemporânea.

Pedro Leão Neto

2ª Conferência do 3º Ciclo D.T.W.

Decorreu a 2ª sessão do 3º Ciclo D.T.W. integrado na unidade curricular de Comunicação, Fotografia e Multimédia da FAUP.
Agradecemos a todos os presentes, em particular a João Margalha e Paulo Catrica, pelas interessantes comunicações que nos apresentaram.

João Margalha apresentou uma comunicação intitulada “Espacialidade do lugar no projecto fotográfico: desconstrução ou indexação da realidade” onde reflectiu sobre um conjunto de trabalhos que questionam o conceito de espaço / lugar e a indexalidade da imagem de fotografia, trabalhos onde a fotografia desafia o que se espera da sua própria relação com os com os lugares.
Foram assim analisado diversos autores e seus trabalhos, podendo identificar diferentes perspectivas e projectos artísticos que questional a representação e a ideia e percepção espacial como, por exemplo, Thomas Demand que explora imagens banis que por razões politicas e históricas se transformam em ícones e que o autor desconstrói através da representação fotográfica de maqueta físicas que ele constrói tendo como base as imagens banais originais. O fotógrafo catalão Joan Fontcuberta, foi também analisado, percebendo-se como este coloca à prova a representação fotográfica através de um jogo de ilusão óptica. Este autor apresenta-nos fotografias em grande escala de paisagens idílicas, criadas a partir de um programa de computador – um software que permite construir modelos em três dimensões de qualidade foto-realista a partir de mapas . Fontcuberta consegue desta forma converter pinturas de paisagens de Gauguin, Van Gogh, Cézanne, entre outros, em paisagens virtuais que ele denomina “post-paisagens”.

Paulo Catrica apresentou uma comunicação intitulada “The making of Urban & architectural photographs. Nineteenth century photographs and the discourses of architecture and urban planning” onde analisou de forma crítica os valores e ideologia que transparecem da estrutura espacial e das fotografias de arquitectura e urbanismo do século XIX, relacionando a fotografia com uma agenda ideológica de um determinado tempo histórico e examinando como a fotografia reforçou o consenso para a necessidade de um “desenho urbano moderno” que acreditava que a paisagem e a natureza podiam vincular a promessa de um “futuro melhor”.” Uma interessante exposição critica a partir da qual foi possível debater questões importantes sobre a temporalidade e a ideia sobre História como uma disciplina que não é apenas a narrativa de factos e eventos, mas que transporta consigo uma “agenda” politica e de leitura do mundo, sendo tudo isso identificado de forma critica através da imagem e seu uso ao longo da história.

Pedro Leão Neto

“Na Superfície: Imagens de Arquitectura e Espaço Público em Debate”

14-15 de Junho de 2012

Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto

O Seminário Internacional – Na Superfície: Imagens de Arquitectura e Espaço Público em Debate contará com diversas sessões – Congresso e Mesas Redondas –  que permitirão uma reflexão alargada em torno das imagens de arquitectura e espaço público. Isto significa, entre outras coisas, reflectir sobre o contributo das imagens na compreensão da realidade e na construção de imaginários, entre o documento e a ficção, entre a reprodução e a manipulação, entre as técnicas de representação analógica e digital.

Este seminário  integra no seu elenco diversas pessoas ligadas ao mundo da fotografia e da arquitectura com grande prestígio nacional e internacional. Referindo apenas alguns desses nomes, podemos enumerar: Philip Ursprung (ETH Zürich), Marco Iuliano (Department of Architecture University of Cambridge), Elias Redstone (curador – Londres), Duarte Belo (Arquitecto-Fotógrafo), Eduardo Brito (curador – crítico de fotografia),  Margarida Medeiros (Faculdade de Ciências sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa), Ana Luísa Rodrigues (Escola de Arquitectura da Universidade do Minho), José Miguel Rodrigues (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto), Patricia Almeida (Fotógrafa), Augusto Sousa (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) , Nuno Grande (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto) Pedro Rocha (Instituto Português de Administração e Marketing), Susana Ventura (arquitecta), entre vários outros. Existirá um outro conjunto de comunicações, escolhidos por um comité científico, decorrente de um call for papers.

Está também integrado no seminário um Workshop de Fotografia cujo objecto de estudo é Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 e que será coordenado pelo CCRE (Centro de Comunicação e Representação Espacial). O workshop decorrerá posteriormente às Conferências e Mesas Redondas do Seminário, às quais os participantes do workshop  terão acesso e frequência. O objectivo é o de explorar diversas temáticas abordadas no Congresso e nas Mesas Redondas o que significará, entre outras coisas, explorar a Fotografia numa Perspectiva Inquisitiva, Curatorial e Comunicativa sobre o Espaço Público e as suas Vivências – uma perspectiva entre o Documental e a Ficção tendo como objecto de estudo a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012. Este Workshop não só ampliará o público do seminário e a respectiva visibilidade sobre o mesmo como proporá uma exposição itinerante de fotografia de Arquitectura.

Paralelamente ao Seminário decorrerá a exposição internacional ARCHIZINES, com curadoria de Elias Redstone, consistindo numa significativa mostra de publicações de arquitetura independentes (“zines”) que, depois de Londres e Milão, será apresentada no Porto – FAUP – e integrada no Seminário Internacional Na Superfície e sob a coordenação de Pedro Leão Neto. A FAUP acolherá assim a mostra de 60 publicações de 20 países cujo sucesso tem sido reiterado pela sua itinerância e recepção crítica. Uma outra exposição, Cityscopio-zines, surge como um complemento à exposição internacional de Elias Redstone – ARCHIZINES – e é uma introdução ao universo das fanzines portuguesas, constituindo um guia inédito de interesse interdisciplinar nas áreas da arquitectura, cidade, cultura urbana, espaço público, fotografia e cinema. CITYSCOPIO-ZINES apresenta uma cartografia rizomática que permite folhear as ‘zines’ nacionais de forma sistemática mas informal, dando a conhecer a diversidade conceptual e gráfica das publicações independentes que constituem o lado B dos títulos mainstream dos escaparates.

http://www.nasuperficie.ccre-online.com/

Call for papers : Na Superfície

Foi lançado o Call for Papers relativo à segunda edição do Seminário Internacional “Na-Superfície: imagens de arquitectura e espaço público em debate.”

Mais informações em http://www.nasuperficie.ccre-online.com/index_pt.html#

O presente Call for Papers é baseado no seguinte conjunto de temas,  estruturados por 3 grandes áreas de reflexão e questionamento:

1. teoria e história das imagens na concepção e na comunicação do projecto de arquitectura e de espaço público

2.prática fotográfica na percepção de arquitectura e de espaço público

3. prática vídeo na percepção de arquitectura e de espaço público

Pretende-se que este acervo, constituío por diversos textos e narrativas visuais permita uma reflexão mais rica e aprofundada sobre o contributo das imagens na compreensão da realidade e na construção de imaginários, entre o documento e a ficção, entre a reprodução e a manipulação, entre o analógico e o digital.