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6a Sessão C.F.M. – D.T.W. : Helder Sousa, Álvaro Domingues e Pedro Bandeira

O CCRE – Centro de Comunicação e Representação Espacial da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, em parceria com o grupo de investigação Espaço F-FAUP e CITYSCOPIO Associação Cultural, realizam, no próximo dia 16 de Maio de 2013, das 18:30 às 20h, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, a sexta sessão do Ciclo de Conferências C.F.M. + D.T.W., moderada por Pedro Neto, que conta com a participação de Helder Sousa, Álvaro Domingues e Pedro Bandeira.

Helder Sousa apresentará o projecto fotográfico “Unfinished Projects”.

“Valongo é um concelho periférico da Área Metropolitana do Porto. O seu rápido desenvolvimento ocorrido nos últimos 20 anos deu origem a um fenómeno que se encontra um pouco por todo o concelho. Assim como em tantos outros concelhos periféricos foram construídos edifícios de habitação que visavam acolher novos moradores e os trabalhadores da grande cidade. Publicitava-se uma melhor qualidade de vida, com espaços verdes e maior tranquilidade a preços convidativos e com boas acessibilidades. Tinha-se construído uma autoestrada e modernizado a linha de caminho-de-ferro. Neste clima de expectativas positivas, a planificação urbana do concelho correspondeu com a classificação de elevadas quantidades de solo a urbanizar.
O ciclo imobiliário rapidamente se inverteu, deixando sem procura a “sobre construção” do período da euforia. Em várias freguesias do Concelho encontram-se diferentes edifícios de habitação que nunca foram acabados. Neste contexto, Unfinished Projects é um projeto de fotografia documental que pretende documentar esta realidade que faz parte da paisagem urbana deste concelho há mais de 10 anos. Existem e coabitam no mesmo espaço, edifícios habitados e inacabados, compondo uma paisagem entre a disfunção e a “predação”; uma espécie de ecossistema do abandono onde a natureza rapidamente se insinua com espécies infestantes na linha da frente. Unfinished Projects opera como uma metáfora da crise económica contemporânea.” (Helder Sousa)

Sessão aberta ao público.

Representação e Comunicação da Arquitectura Contemporânea: processo e produto.

 

OMA - TVCC - Exterior

OMA - TVCC - Exterior (fonte: http://www.eikongraphia.com/?p=1453)

A capacidade de comunicar projecto e representar espaço são indispensáveis ao arquitecto durante o processo de concepção do objecto de arquitectura. Representa-se para prever, testar,  explorar ideias, comunicar. Espaços constituem-se projecto, conjunto articulado de representações.

O processo envolve, por natureza, diversos intervenientes com  diversos interesses e capacidades na percepção do espaço representado. A representação, neste contexto, não se esgota na individualidade criativa do artista, mas estende-se ao colectivo, à sociedade que é fonte e razão de ser dessas representações, que dotou o arquitecto de referências históricas, sociais e culturais, [imagens?] articuladas num contexto que o influenciou na definição da sua própria visão da arquitectura.

A representação deve ser capaz de informar os diversos actores do processo de transformação do espaço, designadamente a sociedade civil, que tem no processo uma importância acrescida porque é ela que constitui a sociedade como um todo.

Representar arquitectura obriga, com recurso à técnica [tecnologia?] à transformação do imaterial – as ideias, as referências, as imagens – num suporte material, analógico mas, cada vez mais, digital.

Comunicar arquitectura exige, muitas vezes, a uma síntese devidamente articulada numa narrativa capaz de captar a atenção do receptor, de o conduzir na leitura dos conteúdos, de clarificar o que é essencial sem impossibilitar a leitura do acessório, muitas vezes fundamental para a compreensão da obra de arquitectura.

Da mesma forma que um texto é composto por palavras articuladas, também uma narrativa visual é feita de representações articuladas, o que exige, à partida, intencionalidade, que pode ser objectiva mas também subjectiva, consciente mas também inconsciente: a representação não é fiel ao objecto que se constrói, nem tão pouco ao que se pensa, mas é distorcida em função de interesses e motivações. Nem a fotografia comunica fielmente a realidade que retrata.

Talvez por isso lógica e emoção sejam partes integrantes e complementares da representação e comunicação da arquitectura, sempre presentes ao longo da história e dos seus mo(vi)mentos, oscilando entre uma e outra em função do contexto e da ideia de arquitectura “em vigor”.

O contexto internacional contemporâneo é diversificado nas suas expressões da arquitectura e nos seus processos de concepção – sendo, até, contraditório: por um lado, muitos arquitectos reconhecem, cada vez mais, a importância do modelo [digital] como processo para, quase em simultâneo, conceber e representar arquitectura, e assistimos ao “renascimento” e evolução dos softwares de modelação paramétrica; por outro lado, não largamos a segurança e intuitividade das ferramentas de desenho assistido por computador  mais elementares [de drafting], mesmo que estejamos conscientes das vantagens dos BIM [building information modeling]; numa ainda maior contradição, e no que aparenta ser uma falta de tempo, ou de disposição, ou de domínio das ferramentas mais complexas, encontramos grandes gabinetes de arquitectura que recorrem a serviços externos de comunicação e representação de arquitectura para produzirem as imagens dos seus projectos, contrariando a ideia do modelo enquanto processo|representação, como se a arquitectura fosse uma para o arquitecto e outra para o público ou para o júri [talvez o seja], separando o processo do produto com o intuito de melhor vender o último.

Caminha a arquitectura contemporânea para a dissolução entre processo e produto, representação e comunicação, ou para o oposto?